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Em nível crítico de extinção, uma ação realizada no último sábado, 03, foi responsável pela reintrodução da espécie em Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), no sítio Guaribas (Foto: Divulgação)

O caranguejo guaja-do-araripe, descoberto há cerca de dois anos na região do Cariri por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), tem novo capítulo registrado na trajetória de sobrevivência da espécie. Em nível crítico de extinção, uma ação realizada no último sábado, 03, foi responsável pela reintrodução da espécie em Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), no sítio Guaribas, em área restrita para pesquisadores.

O objetivo é ampliar os locais de ocorrência da espécie, em lugares distintos na região. Os primeiros exemplares foram achados na área do distrito de Arajara, em Barbalha. O crustáceo recebeu o nome científico de ‘Kingsleya attenboroughi’.

Os caranguejos estiveram até o último sábado, no laboratório de aquicultura, no Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Crato. O acompanhamento da evolução dos crustáceos é realizado com a parceria dos docentes da URCA, através de pesquisadores e alunos do curso de Biologia, do Mestrado da Bioprospecção Molecular, Geopark Araripe e do Instituto. A soltura de quatro caranguejos, ocorreu com o acompanhamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBIO, e da organização não governamental Aquasis, que atua com trabalho voltado para preservação do Soldadinho-do-araripe.

A ação contou com a presença de pesquisadores, que tiveram um cuidado especial, desde a retirada laboratório, ao transporte até a Fonte Vale Verde, onde foram soltos ao longo do córrego do rio. O trabalho teve a orientação do Professor da URCA, Allysson Pinheiro, Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da universidade e responsável pela descoberta da nova espécie, descrita por ele e pelo pesquisador William Santana, da Universidade do Sagrado Coração (USC). O trabalho foi feito de forma cuidadosa, no intuito de reinserir os crustáceos, observando até mesmo o processo de adaptação dos caranguejos à temperatura da água.

A escolha da área para reinserir os caranguejos é restrita a pesquisadores, para que haja o acompanhamento, sem a ação do homem na utilização dos espaços. Segundo Allysson Pinheiro, há um critério especial, incluindo a área de escolha para soltar os crustáceos. Ele alerta que os caranguejos não são comestíveis, como aqueles encontrados em água salgada. Segundo o professor, algumas parasitoses encontradas nos seres humanos, também foram detectadas nesses crustáceos, portanto, não sendo recomendável para o consumo, por oferecer riscos de doenças para as pessoas.

Saiba mais

A espécie de caranguejo (guaja-do-araripe) descoberta recentemente é endêmica da Chapada do Araripe e ameaçada em um nível crítico de extinção. Há poucos espécimes restritos a um local específico de Arajara, distrito de Barbalha – CE.

A espécie ocorre em três riachos na região, que são muito próximos da comunidade, e é muito impactado com lixo, desmatamento e pouca água.

A ação consistiu em uma reintrodução da espécie na Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) da Aquasis, pois o ambiente possui as características necessárias para a sobrevivência da espécie de caranguejo. Alguns exemplares estão sendo mantidos em cativeiro para reprodução, no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFCE – Crato).

O caranguejo está sendo alvo de diversos estudos com objetivo de ampliar o que se sabe sobre seus comportamentos e reprodução em cativeiro, enquanto será realizada a reintrodução, com o apoio do ICMBIO. É a primeira já descrita tipicamente no semiarido, que pode ser importante na descrição da paisagem na América do Sul.

(Universidade Regional do Cariri  (URCA

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